O tênis é, por essência, um esporte de silêncio, concentração e respeito mútuo. No entanto, o que vimos recentemente no Masters 1000 de Roma, durante a partida entre o jovem João Fonseca e o sérvio Hamad Medjedovic, foi o oposto disso. O episódio motivou um desabafo necessário de Fernando Meligeni e acendeu um alerta: estamos transformando as quadras em territórios de hostilidade.
Como fã de tênis que acompanha o circuito há anos, é impossível não compartilhar da indignação de Meligeni. A conduta de parte da torcida brasileira não é apenas “calorosa”; ela é vergonhosa e deplorável. O que deveria ser apoio transforma-se em um espetáculo de falta de educação que mancha a imagem do esporte no país.
O Desabafo de quem conhece o Chão da Quadra
Meligeni, uma das vozes mais respeitadas do nosso tênis, foi cirúrgico em sua crítica. Para ele, o pretexto do “Fonsequismo” ou de um suposto patriotismo não justifica ultrapassar todos os limites éticos.
“A gente viu cenas que não valem, que não têm nada a ver com o esporte que eu aprendi lá atrás. É mais um adversário do João brigando com a nossa torcida. A torcida invade o jogo e passa completamente dos limites”, afirmou o ex-atleta.
O resultado dessa pressão tóxica foi visto no final da partida: após vencer, Medjedovic provocou o público com um gesto de “dormir”. Não foi um ato gratuito, foi uma resposta a um ambiente que se tornou insuportável para quem estava do outro lado da rede.
Um Padrão Autodestrutivo
Infelizmente, este não é um caso isolado. O comportamento predatório da torcida tem se repetido nos jogos de Bia Haddad Maia, onde adversárias são vaiadas no erro e xingadas por torcedores que, sob a bandeira do “orgulho nacional”, ignoram as regras mais básicas de etiqueta do tênis.
É preciso questionar: que exemplo estamos dando? Torcer no erro do adversário não é força; é mediocridade. Como bem pontuou Meligeni: “O que a gente está transformando o tênis? O que a gente está transformando o mundo?”
O "Apoio" que Prejudica
A ironia cruel é que essa torcida acredita estar ajudando, quando, na verdade, está sabotando nossos próprios talentos. João Fonseca tem apenas 19 anos. Bia Haddad carrega o peso de ser uma top 20 mundial. Ao criar um ambiente de guerra, a torcida injeta uma pressão externa desnecessária que pode travar o desempenho psicológico dos brasileiros.
Minha visão como fã é clara: o patriotismo real é aquele que respeita o esporte e permite que o atleta jogue com serenidade. Gritar, xingar e hostilizar o adversário não nos faz a melhor torcida do mundo; nos faz a mais mal-educada.
É hora de a torcida brasileira botar a mão na consciência. Ou aprendemos a torcer com dignidade, ou continuaremos sendo vistos pelo circuito internacional como um elemento a ser evitado — e pior, continuaremos atrapalhando o sucesso daqueles que dizemos amar.
Muito feio mesmo! As pessoas estão se comportando muito mal, em um tipo de jogo que demanda foco. Que Vergonha!