Se tem uma coisa que o cinema adora fazer hoje em dia é inventar remakes. Na maioria das vezes, a gente sai do cinema ou fecha a tela com a sensação de mais do mesmo. Mas precisamos dar o braço a torcer: o novo “Nosferatu” é um grande acerto.
Para começo de conversa, a obra original é um clássico mudo de 1922 — ou seja, tem mais de 100 anos! A grande maioria das pessoas nunca parou para assistir ao filme centenário, o que torna essa nova versão do diretor Robert Eggers uma oportunidade perfeita para conhecer essa história sob uma nova roupagem.
Mas já fica o aviso de amigo: se você está esperando aquele terror apelativo com jorros de sangue a cada cinco minutos, ou garotas correndo seminua na floresta fugindo de um vilão estilo Jason ou Freddy Krueger, pode mudar de canal. O papo aqui é outro.
Uma Mistura de Clássicos com Sabor de Drama Sombrio
O filme foge totalmente dos clichês do terror convencional e mergulha o espectador em uma espécie de drama sombrio e psicológico.
Se tivéssemos que resumir a atmosfera dessa obra em uma receita, diríamos que ela é uma mistura equilibrada de três grandes marcos:
- O visual do “Nosferatu” original (1922);
- O clima de possessão e tensão sufocante de “O Exorcista” (1973);
- A elegância e a obsessão de “Drácula de Bram Stoker” (1992).
A história se passa no século XIX e acompanha o jovem casal Thomas e Ellen Hutter. Thomas precisa viajar até a Transilvânia para fechar um negócio de compra de imóvel com um cliente misterioso: o Conde Orlok. O que ele não sabe é que o conde é uma figura decrépita e demoníaca que não quer apenas uma casa nova, mas sim a alma e a obsessão pela sua esposa, Ellen.
Atuações Que Carregam o Filme nas Costas
Um dos maiores pontos fortes do longa é, sem dúvida, o seu elenco.
O grande destaque vai para o antagonista, o Conde Orlok (o próprio Nosferatu), interpretado por Bill Skarsgård (o mesmo ator que fez o palhaço Pennywise em It: A Coisa). Ele entrega uma atuação visceral, assustadora e carregada de personalidade, com uma voz gutural que dá arrepios.
Já a jovem Lily-Rose Depp dá vida à personagem Ellen Hutter e faz um trabalho impressionante. Ela começa o filme com um jeito tímido, frágil e amedrontado, mas vai crescendo em maturidade e força ao longo da trama, até chegar ao desfecho onde precisa encarar o próprio mal de frente.
O elenco ainda conta com nomes de peso como Nicholas Hoult (o marido Thomas) e Willem Dafoe, que faz uma participação excelente como um professor especialista em ocultismo e alquimia.
A Sombra que Assusta Mais que o Sangue
Ao contrário dos filmes de sustos fáceis (jumpscares), Nosferatu constrói o medo na base do clima. A fotografia é acinzentada, a ambientação é fria e a trilha sonora cria um estado quase febril em quem está assistindo.
O filme tem momentos de transe e possessão que lembram bastante os melhores momentos dos filmes de exorcismo. Em vez de violência explícita gratuita, o diretor prefere brincar com sombras e com a sensação de pesadelo constante. É um terror elegante, sério e assertivo.
Veredito Final: Vale o Seu Tempo?
Sim, vale muito a pena!
Nosferatu é um filme que respeita a inteligência do espectador. Ele pode parecer um pouco mais lento no começo para quem está acostumado com filmes de ação sem pausa, mas recompensa quem embarca na sua atmosfera sombria.
É um filme de terror com “A” maiúsculo: bem atuado, com figurinos de época impecáveis e uma história de obsessão que fica na cabeça depois que os créditos rolam. Prepare a pipoca e apague as luzes!
Ficha Técnica

Nosferatu (2024)
Uma jovem noiva é deixada sob os cuidados de amigos quando seu marido viaja para a Transilvânia para um encontro com o Conde Orlok. Atormentada por visões terríveis e uma crescente sensação de pavor, ela logo encontra uma força maligna que está muito além de sua compreensão.
Onde assistir: NETFLIX
Diretor: Robert Eggers
Elenco: Lily-Rose Depp, Nicholas Hoult, Bill Skarsgård