Faltam pouco mais de 100 dias para a Copa do Mundo começar nos Estados Unidos, Canadá e México. Mas o que deveria ser uma celebração global do futebol pode se tornar um dos torneios mais tensos da história recente.
O motivo? Um conflito direto entre Estados Unidos e Irã — dois países que agora se enfrentam militarmente e que, ao mesmo tempo, estão ligados ao mesmo evento esportivo.
O Irã vai disputar a Copa?
Classificado para sua quarta Copa consecutiva, o Irã tem jogos previstos contra Nova Zelândia, Bélgica e Egito em solo americano. No entanto, a escalada militar e a instabilidade política após a morte do líder supremo Ali Khamenei colocam a participação da seleção sob incerteza.
O presidente da federação iraniana admitiu dúvidas públicas sobre a presença da equipe no torneio. E, diante de um cenário político imprevisível em Teerã, nem mesmo está claro quem tomaria essa decisão.
Enquanto isso, a FIFA afirma monitorar a situação e reforça que seu objetivo é realizar uma Copa “segura e com todos os países participantes”.
Se o Irã desistir, quem entra?
Nos bastidores, já se fala em possíveis substitutos da Confederação Asiática. Iraque e Emirados Árabes Unidos aparecem como alternativas viáveis.
Mas uma eventual saída iraniana não resolveria o problema político — apenas o deslocaria.
Segurança sob pressão
A tensão não se limita aos gramados.
Os Estados Unidos, agora envolvidos diretamente no conflito, também são sede do torneio. Isso significa reforço máximo na segurança, principalmente em cidades como Los Angeles, que abriga uma das maiores comunidades iranianas fora do Irã.
Na Copa de 2022, no Catar, jogos do Irã já foram marcados por protestos e divisões políticas entre torcedores. Em 2026, o ambiente pode ser ainda mais sensível.
Segundo especialistas, trata-se de “território desconhecido”: um país-sede em guerra com uma nação participante poucos meses antes do torneio.
A relação entre Trump e a FIFA
O presidente Donald Trump tem papel central nesse cenário. Além de liderar a ofensiva militar, ele mantém uma relação próxima com o presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Em dezembro, a entidade concedeu a Trump seu primeiro “Prêmio da Paz”, elogiando sua atuação diplomática no Oriente Médio. Agora, com a escalada do conflito, a decisão volta ao centro das críticas.
Parlamentares europeus já discutiram a possibilidade de boicote ao torneio. Organizações de direitos humanos cobram uma postura mais firme da FIFA diante de ações militares e possíveis violações do direito internacional.
A entidade, por sua vez, sustenta que tem o dever de manter neutralidade política.
Um Mundial cercado de tensões
A Copa de 2026 já seria histórica por marcar o 250º aniversário da independência dos EUA e por reunir três países-sede. Mas o contexto atual amplia os desafios:
- Conflito militar ativo no Oriente Médio
- Pressões por boicote
- Debate sobre vistos e imigração
- Tensões diplomáticas entre países participantes
O futebol sempre foi palco de disputas simbólicas. Mas raramente esteve tão entrelaçado com uma crise geopolítica em curso.
A grande dúvida não é apenas se o Irã jogará.
É se a Copa conseguirá permanecer apenas como futebol — ou se se tornará mais um capítulo de uma disputa global muito maior.
Eu me sinto de luto pela morte das 158 meninas iranianas, mortas no bombardeio da semana passada. E meu desejo seria que a humanidade boicotasse essa Copa.