A 98ª edição do Oscar, realizada neste domingo (15/3) em Los Angeles, não foi apenas uma premiação; foi uma declaração de amor ao cinema visceral e à maestria técnica. Em uma noite marcada por emoções à flor da pele, o grande protagonista foi Uma Batalha Após a Outra, que consolidou sua jornada triunfante ao conquistar seis estatuetas, incluindo as cobiçadas categorias de Melhor Filme e Melhor Direção.
A vitória de Paul Thomas Anderson é o fechamento de um ciclo de justiça histórica. Pela primeira vez, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas rendeu-se ao talento inquestionável de um dos maiores diretores da nossa geração. Anderson entregou uma obra que não apenas entretém, mas desafia os sentidos, provando que o cinema de grande escala ainda pode ser profundamente autoral.
O Brilho Imortal de Frankenstein
Enquanto a guerra dominava as categorias principais, outro titã erguia sua cabeça com elegância e horror gótico. Frankenstein foi, sem sombra de dúvidas, a experiência visual mais impactante do ano. Ao vencer em Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Cabelo e Melhor Design de Produção, o longa provou que a excelência estética é fundamental para a imersão narrativa.
A direção de arte e a concepção visual desta nova adaptação são nada menos que hipnotizantes, transportando o espectador para um mundo onde o belo e o grotesco coexistem em perfeita harmonia. A vitória tripla nessas categorias técnicas coroa um trabalho de minúcias que já havíamos previsto aqui no site como imbatível.
O Brasil no Palco Global: O Agente Secreto e o Sentimento de "Quase"
Para o público brasileiro, a noite foi de expectativas altas e um sabor agridoce. Com cinco indicações, o cinema nacional reafirmou sua relevância internacional, mas acabou não levando estatuetas para casa.
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, disputou em quatro frentes cruciais: Filme, Filme Internacional, Direção de Elenco e Ator. A performance magnética de Wagner Moura foi um dos pontos altos da temporada, mas o ator acabou perdendo para a força física e emocional de Michael B. Jordan, vitorioso por Pecadores.
Na categoria de Filme Internacional, o Brasil foi desbancado pelo favoritismo do norueguês Valor Sentimental, de Joachim Trier, que confirmou seu apelo junto aos votantes. Já na fotografia, Adolpho Veloso (Sonhos de Trem) viu a história ser feita por Autumn Durald Arkapaw, que se tornou a primeira mulher a vencer na categoria por seu trabalho em Uma Batalha Após a Outra.
Apesar da ausência de prêmios, a presença brasileira em categorias tão nobres reforça que o nosso cinema não é apenas um convidado, mas um competidor de elite no cenário mundial.
Lista Completa de Vencedores - Oscar 2026
- Melhor Filme: Uma Batalha Após a Outra
- Melhor Direção: Paul Thomas Anderson (Uma Batalha Após a Outra)
- Melhor Ator: Michael B. Jordan (Pecadores)
- Melhor Atriz: Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)
- Melhor Ator Coadjuvante: Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra)
- Melhor Atriz Coadjuvante: Amy Madigan (A Hora do Mal)
- Melhor Filme Internacional: Valor Sentimental (Noruega)
- Melhor Animação: Guerreiras do K-Pop
- Melhor Roteiro Original: Pecadores
- Melhor Roteiro Adaptado: Uma Batalha Após a Outra
- Melhor Design de Produção: Frankenstein
- Melhor Figurino: Frankenstein
- Melhor Maquiagem e Cabelo: Frankenstein
- Melhor Montagem: Uma Batalha Após a Outra
- Melhor Fotografia: Pecadores (Autumn Durald Arkapaw)
- Melhor Efeitos Visuais: Avatar: Fire and Ash
- Melhor Trilha Original: Pecadores
- Melhor Canção Original: “Golden” (Guerreiras do K-Pop)
- Melhor Som: F1
- Melhor Documentário: Mr Nobody Against Putin
Grata pela resenha completa 👏 Acabei não vendo o evento 😉